Nos rituais do Instituto Céu na Terra é através
dos Cantos e do toque de instrumentos que são invocadas
a Força e a Luz da Ayahuasca nas sessões e
é também através dessas mesmas Canções
que nos fortalecemos no dia-a-dia, recordando os ensinamentos
que orientam nossas vidas e nossas atitudes. Os Cantos nos
confortam, nos alegram, nos orientam e nos dão a
chave de nossa própria cura.
Estes Cantos em todas as linhas do daimismo são também
denominados de hinos. São canalizados do plano espiritual
através da mediunidade em um processo semelhante
ao da psicografia (tanto a letra quanto a melodia são
canalizadas). O conjunto de hinos é denominado hinário.
Esta forma de transmissão (musical/cantada) de ensinamentos
foi iniciada por Raimundo Irineu Serra, o Mestre Irineu,
e continuada por seus discípulos.
Além dos hinos cantados, faz parte do ritual do Instituto
Céu na Terra a audição de músicas,
o que não vem do daimismo tradicional. Padrinho César
Gyalbo, o fundador do trabalho do Instituto Céu na
Terra, acrescentou esse elemento ao ritual com base em seu
conhecimento dos potenciais terapêuticos de determinadas
músicas e sons, fruto de sua formação
como terapeuta, que incluiu o estudo de semântica
musical. No âmbito ayahuasqueiro, essa prática,
incorporada às sessões, vem de duas fontes
distintas: do tempo em que Padrinho César participou
de trabalhos terapêuticos experimentais com a Ayahuasca
e do tempo em que fez parte, como sócio, da União
do Vegetal, doutrina ayahuasqueira na qual esse costume
também está presente.
As músicas ouvidas durante o ritual são criteriosamente
selecionadas de acordo com o objetivo que se pretende evocar:
alegria, interiorização, estados regressivos,
expansão da consciência, etc. Quando são
utilizadas músicas com letra, geralmente Música
Popular Brasileira, tem-se o cuidado de que os temas abordados
estejam em consonância com como idealmente desejamos
atuar no mundo: com paz, com amor, com respeito à
natureza, com esperança, etc. -, já que as
músicas foram compostas por artistas populares e
inicialmente não tinham a intenção
de serem utilizadas com fins religiosos.
Tanto as músicas ouvidas quanto os hinos cantados
coletivamente realçam o potencial de percepção
da beleza estética que o chá aflora em nós.
Portanto, a participação em rituais dessa
natureza, ao proporcionar que nossas capacidades de percepção
estética fiquem mais aguçadas, pode muitas
vezes nos levar a desenvolver algum tipo de habilidade criativa,
seja ela musical ou na forma de pintura, de poesia, etc.
Além disso, a música toca os nossos sentimentos,
promovendo um clima de sintonia e de afetividade entre os
participantes do ritual. Essa sintonia e essa afetividade,
juntamente com o sentimento de pertença ao grupo,
que se dá por meio da participação
constante (quinzenal), são terreno fértil
para que se trabalhe, por meio da Psicoterapia Espiritual,
questões que somente afloram quando as pessoas já
estão ligadas umas às outras através
de vínculos mais profundos e de relações
de maior confiança.