O Instituto
Céu na Terra surgiu pela inspiração do
professor e terapeuta César Gyalbo, que uniu o uso
ritualístico da Ayahuasca a um trabalho psicoterapêutico
de base holística e espiritual (
Psicoterapia
Espiritual®). Terapeuta e facilitador de grupos de
desenvolvimento humano desde 1994, especialista nas áreas
de criatividade e de transcendência, fundou o Instituto
Céu na Terra em 2002, após 12 anos de experiência
com a Ayahuasca através da participação
em trabalhos terapêuticos experimentais com o chá
e de sua posterior inserção em duas das religiões
ayahuasqueiras brasileiras tradicionais: o Santo Daime e a
União do Vegetal.
Quando foi criado, o Instituto Céu na Terra chamava-se Nova Era - Instituto de Estudos da Espiritualidade e da Transcendência (INE), tendo sido fundado com o principal objetivo de dar suporte legal ao uso ritualístico da Ayahuasca.
Desde o primeiro momento de sua criação, o INE
tinha como propósito o uso ritualístico da Ayahuasca
unido a um trabalho terapêutico de grupo. Essa idéia
surgiu da percepção de César de que havia
um grande número de pessoas que sentiam a necessidade
de acompanhamento terapêutico para lhes auxiliar a elaborar
os conteúdos que emergem a partir da experiência
com o chá. Essas pessoas esbarravam principalmente
em dois tipos de obstáculos: 1) os sistemas religiosos
ayahuasqueiros (Santo Daime, UDV, Barquinha), dentro de seus
propósitos, abordam as questões individuais
e grupais que afloram com o chá essencialmente do ponto
de vista religioso, sobretudo pela via do dogma ou doutrina,
e as pessoas que operam com um sistema de crenças e
de paradigmas distintos têm dificuldade de se enquadrar
a esse tipo de método; e 2) quando questões
que afloram com o uso do chá são levadas a um
terapeuta convencional que desconhece a Ayahuasca mais profundamente,
geralmente são tratadas com preconceito, gerando ainda
mais conflitos e confusão (muitos terapeutas ainda
rotulam o chá de alucinógeno).
Com essas questões em mente, e com a bagagem tanto de terapeuta quanto de ayahuasqueiro, mais especificamente daimista, César, no primeiro ano de existência do INE, criou o Projeto Experiência Suprema. Esse projeto tinha uma metodologia cujo foco era proporcionar encontros mensais de consagração da Ayahuasca na natureza, com a finalidade de propiciar aos participantes a experiência da transcendência (isenta de qualquer orientação doutrinária) por meio da expansão da consciência aflorada pelo chá e induzida pela audição de música cuidadosamente selecionada (com base na formação do terapeuta em semântica musical voltada a facilitar a interiorização e estados de regressão). O trabalho adotava uma metodologia e orientação terapêutica específica, que se compunha basicamente de aconselhamento e partilha e de trabalhos de desenvolvimento da criatividade (sobretudo pintura e poesia).
No quarto encontro do grupo, Josiane Tibursky, companheira
de César, naquele momento terapeuta em formação,
consagrou a Ayahuasca pela primeira vez e passou a participar
dos trabalhos do INE desde então. Com o tempo, Josiane,
dada a grande transformação que o uso da Ayahuasca
proporcionou em sua vida, motivou-se para se aprofundar mais
no daimismo , que, mais tarde, reconheceu como seu caminho
espiritual.
Em seu segundo ano de existência, com o surgimento de um núcleo grupal e com o amadurecimento do trabalho, iniciou-se uma nova fase no INE, com o foco mais direcionado ao estudo dos aspectos ritualísticos da consagração da Ayahuasca, sobretudo da linha do Santo Daime: os cantos sagrados (hinos), a disciplina espiritual, os fundamentos filosóficos, etc. Os encontros passaram então a ser quinzenais, surgindo, então, o Grupo Céu na Terra.
Esse foi um período em que os trabalhos passaram a
ter um molde mais ritualístico, mesmo que ainda marcadamente
terapêutico. Com o passar do tempo, o trabalho foi se
tornando cada vez mais fundamentado nos ensinos daimistas,
porém personalíssimo e original em sua ritualística.
O Céu na Terra tem a habilidade de transmitir esses
ensinos em uma linguagem que contempla o homem e a mulher
da Nova Era, adaptando a cultura cabocla e amazônica
presente na religiosidade daimista ao nosso contexto cultural
urbano, sempre tomando o cuidado de jamais macular a essência
desses ensinamentos. Também a metodologia terapêutica
foi sendo cada vez mais definida, vindo a transformar-se em
uma abordagem própria, a Psicoterapia Espiritual®.
Esse modelo terapêutico é fruto da formação holística do coordenador do grupo e foi criado a partir da observação e da percepção das características e das necessidades dos participantes do Céu na Terra. Em um dado momento, a terapia separou-se do ritual, tendo hoje tanto o ritual quanto a terapia seus espaços bem delimitados, porém indissociáveis dentro da proposta do Céu na Terra. É importante ressaltar que o formato do trabalho como um todo foi pensado justamente para que todos os momentos em que o grupo esteja reunido, inclusive os informais, sejam terapêuticos.
O Instituto Nova Era passou a chamar-se Céu na Terra
- Instituto de Psicoterapia Espiritual® e de Estudos da
Ayahuasca em função de retratar melhor o redirecionamento
que passou a ter a partir de seu terceiro ano de existência.
O Céu na Terra atualmente é coordenado por César
Gyalbo e por Josiane Tibursky, que são os terapeutas
responsáveis por todos os trabalhos e estudos desenvolvidos
por esse instituto.
Ressaltamos que não somos absolutamente contra a prática das igrejas ayahuasqueiras - muito pelo contrário. Entendemos que existe necessidade e espaço tanto para o trabalho realizado por elas quanto para trabalhos terapêuticos - desde que sérios, bem fundamentados e principalmente conduzidos por pessoas que tenham tanto formação terapêutica quanto sólida experiência comprovada com o uso ritualístico da Ayahuasca em sistema tradicional.
A abordagem do Céu na Terra foi criada justamente para
auxiliar aqueles que deixariam de ser beneficiados pelo chá
em função de falta de adequação
interna aos trabalhos religiosos propostos pelas entidades
tradicionais. Além disso, o Céu na Terra é
uma vertente daimista, sendo filiado ao Centro e Pronto-Socorro
Raimundo Irineu Serra, de direção do Padrinho
Nonato.
É importante observar que, desde o início do Projeto Experiência Suprema, mesmo se tratando de um trabalho com o foco na terapia, já havia elementos daimistas presentes, em função da trajetória de seu coordenador (César então considerava que os elementos simbólicos eram importantes, mesmo que o foco não fosse necessariamente religioso, o que foi depois comprovado pelos depoimentos dos participantes).